A Rosi pede-me o erredo letreiro do balcão.As outras três letraspodem ficar onde estão.Subo para procurar os parafusos,com os óculos do Manolo.
O erre não sai.Dou mais meia volta.
A Clara segura o escadote.O Emi ilumina com o telemóvel.Eu tinha uma ponta de estrela.Peguei na outra.Em baixo continuam a jantaros restos em pratos limpos.
O Fede passa-me a certa.O parafuso roda um pouco.Atrás há gordura agarradadesde antes de eu vir para cá.A Rosi chega um pano húmido.A Clara tira-lho primeiro.
Espera.Agora mexe-se.
Quando puxo, vem também o ó.O esse cai no tabuleiro.O i fica pendurado sozinho.Ficam quatro sombras amarelas.A tinta sai aos bocados.
A Rosi apanha a sua letra.Tem uma borda descolada.Ofereço-me para a deixar como nova.Ela guarda-a num saco.«Assim está bem», diz-me.O saco é de uma sapataria.
Quando desço o escadote,tenho o erre ao contrário,marcado na manga.A Rosi olha-me para o braço.Dou-lhe o último parafuso.Ela junta-o às chaves.
